O uso de IA generativa nas empresas contábeis quase triplicou em um ano, e isso muda a conta do seu escritório
Pesquisa da Thomson Reuters mostra a adoção corporativa de IA generativa em empresas de tributos e contabilidade saltando de 8% para 21% em um ano. O que esse número significa na prática.
Há um número circulando nas publicações especializadas americanas que merece parar na mesa de todo sócio de escritório contábil brasileiro: a adoção corporativa de IA generativa em empresas de tributos e contabilidade saltou de 8% em 2024 para 21% em 2025, segundo pesquisa da Thomson Reuters, o que significa que ela quase triplicou em um ano, e curvas com esse formato raramente andam para trás.
O que o número esconde de mais interessante
O dado mais citado é o crescimento, mas o mais útil é o patamar, porque 21% ainda é minoria, então o mercado está exatamente naquele momento em que a tecnologia já provou que funciona e a maioria ainda não se mexeu. É a janela em que adotar gera vantagem competitiva de verdade, já que daqui a dois ou três anos, quando a adoção for maioria, o mesmo investimento servirá apenas para não ficar para trás, e vantagem que todo mundo tem deixa de ser vantagem.
Os levantamentos do setor ajudam a dimensionar o prêmio de quem se move antes: com a automação assumindo as rotinas, um escritório consegue atender cerca de 50% mais clientes com a mesma equipe, e a receita por funcionário sobe na casa de um terço, então o ganho não vem de cortar gente, vem de destravar capacidade que estava presa em digitação, conferência e cobrança de documento. Nos Estados Unidos, onde falta contador no mercado de trabalho, essa matemática virou resposta à escassez de talento; no Brasil, onde o escritório médio vive espremido entre honorário apertado e obrigação acessória crescendo, ela é resposta à margem.
O movimento dos grandes fornecedores confirma a direção
Não é só pesquisa apontando tendência, porque o produto está indo atrás: a Intuit, dona do QuickBooks, lançou neste agosto um pacote em que o próprio escritório monta automações de IA a partir de um comando de texto ou de um procedimento interno, e as roda para a carteira inteira de clientes de uma vez, agendadas ou sob demanda. Quando o fornecedor desenha a ferramenta para o contador criar a própria automação, sem depender de TI, o recado é que a fase de teste acabou e começou a fase de escala.
E daí, para o escritório brasileiro
A pergunta prática não é se a sua empresa vai usar IA, é em qual lado da curva ela vai estar quando o cliente começar a comparar. Três passos cabem em qualquer escritório: escolher um único processo que hoje consome horas de gente boa (conciliação, triagem de documentos ou cobrança de pendências são os candidatos naturais), automatizar esse processo de ponta a ponta antes de pensar no resto, porque piloto focado ensina mais que estratégia ampla, e medir horas liberadas por mês, já que hora liberada é a moeda que paga o investimento e vira consultoria, planejamento tributário e proximidade com o cliente, que é o que o mercado passa a remunerar quando a rotina vira commodity.
O número da Thomson Reuters vai aparecer de novo por aqui em 2027, então guarde a referência: 21%. A distância entre o seu escritório e esse número, para cima ou para baixo, é uma decisão que está sendo tomada agora, mesmo quando ninguém a formaliza.